Queria saber contar histórias, destas que lemos em livros de romances, repletas de nuances, vai e vêm, momentos que nos fazem chorar, sentir fúria pelos antagonistas. Queria saber fazer isso para contar às minhas filhas belas histórias de fazer dormir e sonhar.
Contadores de histórias sempre me fascinam, pois tem o poder de enxergar um mundo que comumente não vemos, vivem de utopias, que nas pinceladas dos lápis ou na voz do contador, nos faz parecer ser possível existir um mundo assim.
Os comparo a pintores, que num luzir da imaginação, trazem à luz a aquarela viva de uma nova realidade, faz o que é invisível aos olhos, tornar visível ao coração, como se o que era, fosse, ou o que nunca pode ser, seja.
Eles nos alimentam de esperanças, não sei ao certo sobre expectativas, tenho grande desconfiança delas, prefiro a esperança, pois a poesia caminha em seu terreno.
Contadores de histórias me lembram um pouco do messias, que de seus lábios, fez surgir as mais perfeitas possibilidades, um inimigo que ama, uma semente tão ínfima que dela faz brotar a mais plena das árvores, semeadores que caminham sem se preocupar e de um Reino, não feito de príncipes e princesas, reis e rainhas, mas de um rei que prefere em sua corte, a presença de plebeus e pobres.
Um Reino que foge de leis e normas, para dar lugar à palavra que se faz poesia, poesia que se torna carne, que abraça, ri, chora, dança, canta e conta histórias para dormir e sonhar, não nos fazendo pensar que nunca existirá, entretanto, alimentando na alma a presença de um Deus que prefere viver no meio dos homens, a solidão do paraíso.
Paz e bem




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